16 de maio de 2016

Preste atenção a essas ideias: você ainda vai usar no seu dia a dia!

Nos últimos dias, participei de dois eventos e conheci soluções que me abriram os olhos para um mundo novo. Separei algumas ideias para mostrar a vocês, que são simplesmente geniais por sua simplicidade ou engenhosidade. Todas elas já estão em protótipo ou funcionando em escala menor, mas fique ligado, pois elas ainda farão parte do seu dia a dia.
  • Troco fácil: Você sabia que hoje existem mais de 7 bilhões de reais fora de circulação pelo “efeito cofrinho”? São bilhões de moedinhas guardadas em potinhos, gavetas, caixinhas e cofrinhos que representam 40% do total de moedas em nosso sistema financeiro. Por causa desse hábito, supermercados, pedágios e feirantes tem constante falta de troco. O troco fácil é uma solução simples, barata e portátil de mudar esse comportamento. Pode ser usado por bancos, lojas e varejo e outras empresas que desejam estimular o consumidor a colocar suas moedinhas em circulação. Mais informações, enviem e-mail para contato@andydesantis.com.br que terei prazer em explicar como funciona!



  • Copo de mandioca: Para reduzir o uso de isopor e outros materiais poluentes, não biodegradáveis, a CBPAK (www.cbpak.com.br) utiliza a fécula de mandioca como matéria-prima para produzir copos bandejas descartáveis.

  • Adeus, descarga! Outra solução biodegradável que pode gerar uma economia anual de R$ 650,00 na sua conta de água é o Piipee (www.piipee.com.br), um dispositivo que promete reinventar o vaso sanitário. Junto com o dispositivo, você compra um refil de solução química biodegradável para acionar após urinar. Apenas 1ml de produto remove o odor da urina, altera a coloração, higieniza e libera perfume agradável no banheiro, sem a necessidade de gastar uma gota de água.
fonte da imagem: meumundosustentavel.com
  • Sua casa vai causar: Quer economizar com energia, água, resíduos na sua casa? Quer reduzir os impactos negativos da sua casa no meio ambiente? O projeto CasaCausa (www.casacausa.com.br) promete colocar em contato pessoas que queiram trazer mais sustentabilidade para seu lar com profissionais que tenham soluções para transformar sua casa em um habitat mais equilibrado com a natureza e o planeta.

O mundo está mudando, já existem ótimas ideias e podemos fazer parte do problema ou da solução. A escolha é nossa!

5 de agosto de 2015

Colabor Ativa Mente

Escassez x Abundância. Palavras que rondam minha mente e inadvertidamente conflitam em meu universo de contradições. De um lado: estoques, reservas, futuro, imprevistos, planejar, acumular, racionar, fracionar. De outro: fluxo, circulação, sincronicidade, presente, dádiva, colaborar, compartilhar, multiplicar, desapegar.
Eduardo Giannetti me alerta sobre o custo que pagaremos no futuro por antecipar os desejos do presente. O IPCC e o WorldWatch Institute me jogam na cara os danos que causamos ao planeta após séculos de abusos sem limites e Fabio Gandour engrossa o caldo da escassez dizendo que com o aumento da população e do consumo, “vai faltar átomos”. O que me remete à ideia de estocar, preservar, proteger, prever e cuidar.

Como profissional da área da educação financeira conectada à sustentabilidade, tenho constantemente orientado as pessoas a sempre preservar seus recursos de hoje pensando no amanhã, construir uma reserva para imprevistos, poupar, evitar desperdícios e de certa forma, acumular patrimônio para garantir uma aposentadoria saudável e próspera. Eu estava bem resolvida e confortável com estas ideias e conceitos, até que Denize Guedes me aparece dizendo que esta é uma lógica perversa, que reforça o paradigma vigente da escassez. Oi? Explico!

Segundo o paradigma da escassez, acreditamos que não tem para todo mundo, por isso temos medo que falte, assim, criamos estoques, retirando os bens de circulação. Com isso, aumentamos o custo da transação e a consequência é que excluímos quem não pode pagar.  Ou seja, a profecia se autorrealiza: não tem para todo mundo.

Joseph Jaworski e Zygmunt Bauman me dizem que tentar controlar um mundo líquido, não fixo com fixidez é uma ilusão. Lala Deheinzelin me fala sobre a infinita possibilidade de combinações criativas em um mundo de recursos tangíveis finitos. Augusto de Franco, Charles Eisenstein, Oswaldo Oliveira e Camila Haddad me falam do poder e da abundância da rede distribuída e da atitude colaborativa para gerar valor que, uma vez doado, trocado, emprestado e compartilhado, irá circular e retornará a quem estiver aberto e de prontidão. Este é o paradigma da abundância, que opera segundo a seguinte lógica.

Acreditamos que tem para todo mundo, por isso temos esperança que sempre tenha, assim, criamos e colaboramos uns com os outros, multiplicando as possibilidades, colocando bens e serviços em circulação e aumentando o fluxo. Com isso, reduzimos o custo da transação e a consequência é que incluímos quem não pode pagar. Ou seja, a profecia também se autorrealiza: tem para todo mundo.

Como faces da mesma moeda, estas palavras remetem a sentidos diferentes de economia, mas principalmente de posturas diante da vida. Uma baseada na prevenção, nos riscos, na dúvida, no controle, no indivíduo, na falta, na quantidade, no valor tangível. Outra fundada na riqueza da imprevisibilidade, na conexão, no presente, nas infinitas possibilidades, na confiança, no coletivo, na qualidade e no valor intangível.

Qual delas escolher? Que caminho seguir? Devo me proteger dos riscos do futuro imprevisível, planejar cada passo, calcular cada movimento, preservar o conhecido, controlar cada moeda, gota d’água ou segundo, poupar para amanhã? Ou devo confiar na providência, me entregar ao invisível, empreender as oportunidades, crer para depois ver, investir no agora?

Angustiada com esta dicotomia, busquei referências na natureza. Como será que os seres vivos que vieram antes de nós operam? Colaboram ou competem? Reservam para o futuro ou se entregam ao fluxo? Claro que nesta busca biomimética encontrei exemplos dos dois paradigmas, embora Ricardo Mastroti tenha me garantido que, na natureza 0,001% é competição enquanto 99,999% é colaboração!!! Humm, uma boa pista não? Será que estamos caminhando para um futuro mais alinhado ao que nossos irmãos mais evoluídos já vivenciam há muito tempo?

        Mas há também na natureza, exemplos clássicos de preservação de energia, recursos e alimentos para vivenciar os períodos mais críticos, onde os recursos naturais se escasseiam e o ambiente se torna mais inóspito. Quem não conhece a famosa história da formiga e da cigarra, na qual a primeira acumula folhas para sobreviver ao inverno enquanto a segunda, entregue totalmente ao fluxo, passa o inverno cantando até morrer? Ou o exemplo dos ursos que hibernam durante alguns meses poupando energia vital até que o alimento volte a ser abundante?

Enfim, sempre me pareceu uma visão extremista tentar escolher entre um caminho ou outro. Sou uma profunda entusiasta do e, por isso ontem fez muito sentido ter a chance de conversar um pouco com Oswaldo Oliveira que definiu em uma palavra muito peculiar esta tentativa de superar este sentimento de separação que vivemos e pelo qual procuramos definir ou justificar nossas práticas. Ele disse: “É preciso saber INTEGRAR a sobrevivência com a evolução”.

Minha leitura desta sábia frase na prática é que devemos urgentemente refletir para que possamos encontrar este caminho do meio, esta medida ótima entre prudência, cuidado e cautela que nos permite sobreviver ao dia a dia, talvez mantendo um certo estoque de recursos externos a nós para que possamos sentir um pouco mais de segurança ao caminhar rumo ao desenvolvimento e à evolução. Esta caminhada nos exige uma entrega ousada, confiante e corajosa de recursos internos ao fluxo de abundância, para oferecer ao mundo o melhor de cada um de nós. Que o medo de morrer, errar, perder, fracassar não nos governe. Que a crença cega de que tudo será fácil e abundante sempre também não nos governe. Que sejamos capazes de viver o presente e participar da criação de suas infinitas possibilidades, sem perder de vista a finitude dos recursos e a possibilidade de enfrentar invernos rigorosos à nossa frente.

Isso para mim é sabedoria. A busca desta integração que nos motiva a continuar seguindo no propósito de discutir caminhos para construir uma relação saudável e digna com os recursos que nos nutrem e sustentam para que possamos encontrar e vivenciar a melhor versão de nós mesmos.

* Gratidão a todas as pessoas citadas neste texto que é fruto de um diálogo interno com cada uma delas, a partir de interações pessoais ou lidas, interpretadas por meus filtros  e vieses pessoais. Peço perdão se alguma das ideias aqui descritas não representa seus pensamentos, é apenas a minha imperfeita releitura. Convido a colaborar e continuar esta reflexão junto comigo.

15 de outubro de 2014

Consumo, logo existo?


Hoje é dia do Consumo Consciente, uma data criada para provocar a reflexão sobre as nossas decisões de compra, cada vez menos conscientes na chamada sociedade “de consumo", descrito por Jean Baudrillard(1) como a nova moral do mundo contemporâneo.

Você já parou para pensar sobre por que parecemos cada vez mais incompletos e precisamos consumir cada vez mais?

Trago aqui algumas reflexões que podem ajudar a entender melhor esse sentimento de incompletude. O ser humano é criador por natureza, faz parte de sua essência criar e transformar o mundo, e realizar-se com suas criações é uma fonte de muito prazer. Se você tem dúvidas sobre isso, basta lembrar da sensação que você tem quando prepara uma refeição especial, faz um desenho, escreve um texto ou cria um brinquedo para se divertir com seu filho. Antes da sociedade industrial, as pessoas eram responsáveis por todas as etapas de produção de suas criações, desde o projeto, passando pela escolha dos materiais até a finalização e acabamento dos produtos que produziam.

A sociedade industrial fragmentou e reduziu a qualidade da relação humana com o trabalho, alienando o ser humano do produto final de suas criações e transformando-o em uma peça de maquinário. Isso fez com que o trabalho deixasse de ser uma fonte de prazer e realização e se tornasse uma forma de ganhar dinheiro para poder usufruir mais tarde, por meio do consumo.

É por isso que muitas pessoas, mesmo tristes e insatisfeitas com seus trabalhos, evitam mudar sua situação e buscar outras oportunidades, pois o dinheiro “compensa” o sofrimento. Com isso, sua fonte de prazer é deslocada para os fins de semana e férias, quando podem sair para fazer compras, comer em restaurantes sofisticados e viajar para países exóticos.

Se você precisa esvaziar o bolso para ter prazer, talvez o primeiro passo seja repensar sua relação com o trabalho. Reveja quanto esse trabalho custa para você em saúde, qualidade de vida, satisfação e outros valores que não são financeiros, mas que somados, podem ter um preço muito alto na sua felicidade. Encontrar realização no trabalho pode ser uma ótima maneira de ter prazer remunerado.

E aproveitando o Dia do Professor, hoje também, recomendo para nós, educadores que desejamos provocar reflexões sobre consumo consciente nesta quarta-feira, o manual do ministério do Meio Ambiente sobre educação para o consumo sustentável, disponível em: http://www.mma.gov.br/estruturas/educamb/_arquivos/consumo_sustentavel.pdf




[1] Para saber mais, leia A Sociedade de Consumo de Jean Baudrillard (Edições 70)

4 de agosto de 2014

O ser consciente passa gentileza adiante


Viver em uma megalópole como São Paulo é um grande desafio, disso ninguém duvida. Conviver com tanta gente compartilhando espaços e tempos restritos é um desafio ainda maior. Entretanto, há raros momentos de gentileza que merecem ser comentados.

A semana começou trazendo duas situações que alimentaram a minha esperança na capacidade humana de agir com consciência, visando o bem comum.

Acordei um pouco atrasada e na correria deixei escancarado o bolso da mochila, com a carteira quase pulando para fora. Peguei o ônibus cheio e ao descer no ponto, um rapaz me chamou, sorriu e avisou que a mochila estava aberta. Virei imediatamente para examinar o conteúdo e, ao contrário do que já estava esperando, nada havia sumido. Estava tudo ali, milimetricamente bagunçado, exatamente como eu havia deixado na minha pressa matinal.

Aliviada, continuei caminhando em direção à máquina para carregar o bilhete único, sem saldo para a passagem de metrô. Foi quando percebi que não tinha um único real para carregar o bendito bilhete. Tentei o cartão de débito, mas a máquina estava quebrada. Podem imaginar minha expressão de desânimo neste momento, só de pensar que teria que caminhar 20 minutos até a agência bancária mais próxima, o que certamente me atrasaria para a reunião que começaria em meia hora. De repente, surgiu um rapaz na minha frente e perguntou: está tudo bem?

Expliquei a situação e ele prontamente se ofereceu para pagar minha passagem de metrô. Eu nem precisei pedir! Claro que fiquei um tanto constrangida e meio sem ideias de como iria retribuir o favor. Tranquilamente, ele disse: eu já passei por isso e uma pessoa me ajudou, estou passando a gentileza adiante. Inspirada pela atitude, imediatamente me prontifiquei: Então, pronto! Se alguém precisar, repassarei o favor adiante. 
E ele respondeu: Faça isso!

Querido anônimo gentil, seja quem for ou de onde for, hoje você me relembrou que estamos interligados numa teia de relações e que somos todos um só. Quando faço bem ao outro, faço bem a mim mesmo.

Cada gesto conta. Boa semana!
























22 de março de 2014

O Ser Consciente dá seu sangue por uma boa causa!

"Esse é meu jeito de fazer revolução". É assim que Fabio Betti define sua contribuição habitual ao Hemocentro São Lucas onde vai mensalmente para doar plaquetas. Durante 1 hora e meia, ele se conecta a uma máquina que suga seu sangue, separa as plaquetas e devolve o restante.
Esse gesto já seria grande o suficiente para a maioria das pessoas, mas não para o Fábio. Dessa vez, ele resolveu ampliar a contribuição e convidou amigos para comemorar o seu aniversário "doando vida".

Foi uma festa muito animada, com tudo que tem direito. Palhaças, bolo, amigos e alegria!!

Só uma diferença entre essa festa e os aniversários comuns. O presente foi a solidariedade. Nós, amigos do Fábio, fomos convidados a participar desse dia junto com ele. Uma boa forma de reverter o quadro de falta de sangue que sempre aflige os hospitais brasileiros. 

Enquanto conversávamos sobre o assunto, Fábio comentou que gostaria de conhecer um paciente que já tenha recebido seu sangue. Nesse exato momento, a enfermeira traz a esposa de um dos pacientes, internado no hospital com câncer e já beneficiado pela atitude dele. Foi um momento de emoção que transbordou em todos nós. 

Feliz por ter aceito o convite de contribuir com a causa de Fábio, revê-lo e celebrar essa data especial, resolvi compartilhar um pouco dessa gratidão no blog, que tem o propósito de divulgar atitudes como essa de pessoas comuns que fazem a diferença no seu dia a dia. 



Uma boa dica para quem deseja celebrar novos ciclos de um jeito diferente.



E você, o que faz para mudar a realidade que tanto critica? 

Conte para nós!!!

26 de fevereiro de 2014

Encontro com o Futuro - NEF 10 anos

Fantástico o encontro dos 10 anos do NEF (Núcleo de Estudos do Futuro). Estar com pessoas iluminadas como Arnoldo de Hoyos, Ladislau Dowbor, Rosa Alegria, Lala Deheinzelin e Regina Migliori é sempre inspirador.

Frases que me tocaram ao longo da conversa:

"O futuro é o resto do tempo que a gente tem pra viver, é um território inexplorado
é um princípio de ação no presente" Rosa Alegria

"A única coisa permanente é a impermanência. A nossa diversão é fazer com que as pessoas não sintam medo dessa impermanência, pois ela pode assustar, mas de fato é uma oportunidade" Rosa Alegria

"A origem do NEF está na nossa insatisfação em ensinar apenas uma disciplina. Quando você ensina uma fatia, você não ensina as conexões" Ladislau Dowbor

"Para enxergar o que é visível mas ainda não foi visto, você precisa juntar os dados que carregam o longo prazo e começar a desenhar essa visão" Ladislau Dowbor

"Geograficamente vivemos em um mundo redondo, mas culturalmente vivemos em um mundo plano, pois só enxergamos os indicadores quantitativos, tangíveis e monetários. A economia é o fluxo não só monetário mas de todos os tipos de recurso. Enquanto os recursos tangíveis se esgotam em escassez, os intangíveis (conhecimento, cultura, criatividade, solidariedade) se multiplicam em abundância." Lala Deheinzelin

"Não basta falar de futuros desejáveis. É preciso viver um presente desejável." Lala Deheinzelin

“Toda a economia tradicional está fundada na visão de Adam Smith sobre o ser humano, ou seja, de que o homem age apenas movido por seu interesse próprio. Os estudos da neurociência revelam que o “interesse próprio” é um mecanismo processado nos núcleos da base cerebral. Porém, o que nos diferencia dos outros animais não é a base cerebral, mas sim a atividade no córtex pré-frontal, onde se processa o interesse coletivo. Portanto, nós humanos, somos estruturalmente éticos. Essa é a nossa natureza. E isso faz toda a diferença para definirmos as concepções da economia do futuro.” Regina Migliori

"Tudo que queremos buscar resume-se na palavra alinhamento. Encontrar o alinhamento interno permite nos conectarmos através de uma antena com o mundo esterno. À medida que estamos conscientes, afinamos a sintonia com esse processo, o que nos permite caminhar, fluir, entrar em flow com o universo" Arnoldo de Hoyos

"Um futuro já nos invadiu e está nos transformando" - NEF

7 de outubro de 2013

Sobre a difícil decisão de utilizar serviços públicos no Brasil

Quem me conhece sabe que há tempos venho militando a favor da ideia de que devemos usar os serviços públicos e exigir que sejam melhores. Eu realmente acredito que a melhor maneira de melhorar a nossa vida e ampliar nossa cidadania é não dar as costas para os serviços essenciais prestados pelas prefeituras e estados só porque temos recursos para pagar por substitutos particulares.

Assim, defendo a ideia de matricular nossos filhos em escolas públicas e acompanhar de perto a prestação do serviço... frequentar hospitais públicos e exigir tratamento digno e respeito no atendimento... usar transporte público e mobilizar nossa rede para melhorar o acesso e o custo deste serviço.

Mas como dizem por aí, "na prática, a teoria é outra"! No mês passado, tirei férias para escolher a escola da minha filha e, claro, incluí as escolas públicas na minha lista de opções. Embora conheça escolas de referência na minha região e tenha ido visitá-las com a mente totalmente aberta, percebi uma forte resistência das escolas públicas em prestar esclarecimentos aos pais sobre seus serviços, suas dependências, suas rotinas.

Algumas escolas públicas que pesquisei já me receberam assim: "Olha, mãe, não é possível visitar a escola! Imagina se todos os pais quiserem conhecer a escola, como é que vai ser? Vamos ter que deixar de trabalhar pra ficar o dia todo apresentando escola..." Enquanto as escolas particulares abriam as portas e respondiam as perguntas com toda gentileza e interesse, nas escolas públicas eu tive que insistir bastante para conversar com as coordenadoras pedagógicas, e praticamente não passava da sala dela... nenhuma se propôs a circular comigo nos corredores, mostrar as salas, o pátio e outras dependências. Muito menos deixar que eu visse as crianças em sua rotina diária.

Agora, me diga: como vou escolher uma dessas escolas? No escuro? Por mais ideologia e vontade que eu tenha de comprar essa batalha, é muito difícil confiar a vida escolar da minha filha nessas instituições que não parecem nem um pouco interessadas em mostrar transparência, embora sejam públicas. Será que uma mãe mais zelosa e cuidadosa não vai incomodar os professores e funcionários da escola? Incomodados, como tratarão minha filha lá dentro? Será que vou atuar como "andorinha só", tentando exigir direitos enquanto outros pais assistem novela despreocupadamente pois conseguiram uma vaga na escola mais próxima de suas casas? E mesmo que eu escolha uma delas, será que minha filha irá mesmo para esta escola, ou o cadastro único abrirá uma vaga na outra escola ao lado, que tem 1,5 ponto abaixo no IDEB?

Enfim... diante de tantas dúvidas e insegurança, só me restou mesmo ceder à pressão e optar por uma escola particular. Tentei fugir dos estereótipos e das opções mais obvias e escolhi uma escola montessoriana, sem apostilas, "sistemas" padronizados de ensino ou testes de admissão (bizarros!).
Escolhi uma escola que ofereça um pouco mais de diversidade, com vagas gratuitas a pessoas da comunidade com renda mais baixa, e que procure educar de forma mais integral.

Mas ficou uma pontinha de frustração por não ter conseguido ser firme o suficiente para atuar de acordo com o princípio de cidadania que eu mesma me comprometi... contradições entre a razão de cidadã indignada e o coração de mãe responsável. A mãe predominou na decisão. Enfim, como disse um amigo ontem, a emoção veio antes da razão.

28 de março de 2013

Kakenya Ntaiya: Uma menina que exigiu a escola


Kakenya-NtaiyaAos 13 anos, Kakenya fez um acordo com seu pai: Ela se submeteria ao tradicional rito de passagem Maassai, a circuncisão feminina, se ele a deixasse frequentar o ensino médio. 

Em mais uma inspiradora palestra do TED, Ntaiya conta sua corajosa história até chegar à faculdade, e seu trabalho junto aos anciões de sua vila, para construir uma escola para meninas na comunidade. É a jornada educacional de alguém que mudou o destino de 125 jovens mulheres. Nas palavras de Kakenya, 

"Agora, enquanto conversamos, 125 meninas jamais serão mutiladas. Cento e vinte cinco meninas não se casarão aos 12 anos. Cento e vinte cinco meninas estão criando e alcançando seus sonhos. É isto que estamos fazendo, dando oportunidades para que elas cresçam. Enquanto conversamos, mulheres não estão sendo espancadas devido as revoluções que começamos em nossa comunidade".

Assista ao vídeo legendado em Português:

8 de dezembro de 2012

Novas perspectivas de um mundo melhor

Há 3 anos, Gilbia e eu lançamos este blog na tentativa de ampliar e maximizar o poder do indivíduo comum que faz a diferença. Foram muitas histórias pesquisadas e divulgadas sobre seres humanos que buscam mudar seu dia a dia por meio de atitudes mais conscientes. O tempo passou e conseguimos ver agora o quanto esta ideia faz sentido de verdade. Cada vez mais pessoas estão buscando alterar a realidade onde vivem, com solidariedade, alegria, verdade e amor.

Nunca se viu tantos exemplos de seres conscientes atuando coletivamente, e isso nunca esteve tão em evidência. O que comprova que as mudanças podem surgir de qualquer pessoa. E a internet é o espaço aberto e democrático que permite a estes grandes exemplos de serem curtidos, replicados e reinventados.

Algumas experiências que nos inspiram e que provam as inúmeras possibilidades de mudança a partir das pessoas:

Edgard Gouveia Jr, uma pessoa comum que pretende mobilizar 2 bilhões de seres humanos em 4 anos para salvar o mundo de verdade, de um jeito rápido, divertido e de graça!

Alejandra Duque, uma pessoa comum que mobilizou milhões de norte americanos para enviar uma mensagem de esperança a gays, por meio de um documentário sobre amor, que se transformou no projeto It Gets Better.

Juracy M. da Silva, uma pessoa comum que atua como empreendedora social em Heliópolis e há 30 anos luta por melhores condições de vida para sua comunidade.

Há muito por fazer, mas existem inúmeros exemplos de pessoas que estão transformando o mundo com suas ações.

Vamos continuar apresentando diferentes perspectivas e possibilidades neste espaço que também é seu!

18 de fevereiro de 2012

Sustentabilidade na empresa

Há tempos não surgia algo na internet que me inspirasse a escrever a respeito. Recentemente, tive a boa surpresa de conhecer o site criado por Gabi Werner para compartilhar conosco as experiências bem sucedidas dos profissionais de sustentabilidade.

A primeira entrevista é com Claudia Martins, da Interfaceflor, conhecida empresa de carpetes que trouxe a sustentabilidade na prática a partir da visão de Ray Anderson, líder inspirador que criou a missão zero, uma meta audaciosa para eliminar o resíduo do processo de produção de seus carpetes.

Chama atenção a economia que a empresa obteve com sua obsessão positiva por resíduo zero, a consistência do trabalho (que já tem 15 anos) e o engajamento dos colaboradores nesta missão. Ficam ainda algumas dicas para quem deseja implantar projetos de sustentabilidade nas empresas.

Bom conteúdo e inspiração para a prática! Vale a pena conhecer o site Sustentabilidade na Empresa.

3 de outubro de 2011

Desabafo de uma senhora idosa sobre a onda de preservação do meio ambiente

Recebi este texto em um e-mail, não sei de quem é autoria, mas gostei muito e por isso quero compartilhar... vale pensar um pouco sobre quem realmente está degradando nosso planeta.

"Na fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”

O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. "
"Você está certo", responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.
Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.
Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.
Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?
(Agora que voce já leu o desabafo, envie para os seus amigos, e especial para os que têm mais de 50 anos de idade.

14 de fevereiro de 2011

A consciência venceu o comodismo

Escrevo hoje para compartilhar a alegria de ter conseguido uma vaga para minha filha em uma instituição de educação infantil próxima à minha casa. Conveniada com a prefeitura, o CEI (Centro de Educação Infantil) recebe a verba, os materiais, a alimentação e os produtos de higiene da prefeitura, mas toda a gestão e coordenação pedagógica são realizadas por uma ONG.

Fiquei muito feliz com o profissionalismo, o cuidado e a segurança que a coordenadora pedagógica me transmitiu. Pude ler o projeto político pedagógico da escola e o que mais me chamou a atenção foi ver a palavra PRAZER destacada em letras maiúsculas, em meio ao texto que detalha a concepção de criança, de mundo e de aprendizagem na visão da instituição.

Observei que, no projeto, consta um diagnóstico da região, da comunidade local, dos bens públicos que apoiar no processo educativo das crianças (biblioteca, parques, brinquedoteca) e também uma descrição detalhada dos projetos periódicos que a escola promove com os alunos e a comunidade escolar.

O projeto também destaca os desafios da comunidade, como por exemplo o alto índice de imigrantes bolivianos e peruanos que moram na nossa região, vivem em condições bem precárias e pouco falam nosso idioma, por isso quase não participam das decisões da escola.

Além da alegria de ver minha filha super entrosada com todos e desenvolvendo sua autonomia (ela voltou contando que hoje fez tudo sozinha - almoçou, foi ao banheiro, organizou a mochila), fiquei orgulhosa de ver de perto um serviço funcionando de forma primorosa em nosso país. É muito bom que minha filha possa ser testemunha de que sim, é possível obter educação pública de qualidade. Só assim, no futuro, ela poderá lutar para que isso se amplie cada vez mais.

2 de fevereiro de 2011

Ser cidadão: entre a consciência e o comodismo

Ultimamente estou intrigada com o significado do meu papel como cidadã. Há alguns dias, estive em um fórum de cidadania promovido pelo Santander e lá conversamos com Jorge Maranhão (A Voz do Cidadão) sobre o que é ser cidadão.

Antes de entender o que é, ficou mais fácil entender o que não é.

Cidadão não é aquele que pratica a filantropia, a doação, o trabalho voluntário. Isso é solidariedade e é muito importante, mas não é cidadania.

Cidadão também não é aquele que pratica ações com ética, devolve o troco e declara seu imposto corretamente. Isso é honestidade, também é essencial, mas não é cidadania.

Tampouco é votar corretamente ou respeitar a faixa de pedestres. Isso é exercer direitos e deveres. Mas ser cidadão não se resume a isso.

Ser cidadão, segundo Maranhão, é exercer controle social sobre as instituições públicas. É utilizar o serviço público e exigir a qualidade deste serviço. É participar das decisões, posicionando-se sobre elas e pressionando para garantir que as promessas sejam cumpridas. Ou seja, não basta votar no candidato que se acredita e achar que já fez a sua parte. Há que se cobrar do poder público que aja de acordo com o que se propôs. Não basta respeitar o farol vermelho. Há que se comunicar as autoridades quando encontrar um farol com defeito.

A partir desta ampliação de olhar, pergunto: como podemos exercer plenamente a cidadania? Será que, quando trocamos a escola, o hospital e o transporte públicos pela opção privada, mais cara porém mais fácil e de melhor qualidade, estamos sendo responsáveis como cidadãos? Só porque podemos pagar deveríamos abrir mão de nossos direitos? E pior, deixar o serviço público nas mãos de quem carece de conhecimento para exigir um serviço melhor?

Penso que não. Acredito que assim estamos nos omitindo, negando nossos direitos. Facilitamos nossa vida hoje, mas contribuimos para a crescente deterioração do serviço público no longo prazo. Por isso resolvi colocar minha filha na Escola Pública. Quero usar o serviço e cobrar sua qualidade. Quero participar da vida real da minha comunidade. Não quero dar as costas a meus direitos e deveres de cidadã.

Confesso que não está sendo fácil. Desde agosto do ano passado, tento sem sucesso uma vaga na EMEI (Escola Municipal de Educação Infantil) mais próxima da minha casa. Ora o prefeito muda a regra, ora recebo oferta de uma vaga em outra escola mais longe e mais precária. Várias vezes pensei em desistir, voltar atrás, esquecer de vez essa história, ir à escola particular mais próxima e garantir que minha filha comece amanhã a estudar. Fico no dilema entre minha consciência e meu comodismo.

Alguns me dizem: sua filha precisa da escola, pare com essa teimosia e faça o que é melhor pra ela. Pois é exatamente isso que me dá mais força para prosseguir tentando. O imenso amor que sinto por ela. Se desejo um futuro diferente para minha filha, se tenho esperança de que ela usufrua de um serviço público melhor amanhã, tenho que dar meu melhor exemplo. Tenho que ser uma verdadeira cidadã, hoje.

20 de janeiro de 2011

O Ser Consciente aplica a "Multa Moral"


Genial! O blog Árvore da Vila propõe que o cidadão atue como fiscal da cidadania na cidade. Pra isso, criou a "multa moral", um talonário bem humorado que cada cidadão pode baixar em pdf, imprimir e "aplicar" sempre que flagrar uma infração como estacionar sobre a faixa de pedestres, pôr o lixo pra fora do horário, "varrer" a calçada com água corrente, abandonar o cocô do cachorro, etc...
Ótima ferramenta pra quem se incomoda com as atitudes alheias, mas não sabe como abordar o infrator... a dica é: use o senso de humor!
Claro que a primeira lição da multa moral é a reflexão pessoal: afinal, o fiscal tem que ser o primeiro a dar o exemplo, né?

15 de janeiro de 2011

Ser Consciente é participar do Limpa Brasil

O Limpa Brasil Let's do it! é uma iniciativa da sociedade civil com intuito de convocar seres conscientes das maiores cidades brasileiras a participar do mais amplo movimento de limpeza de ruas e bairros dessas cidades.

Fique ligad@! A partir de março de 2011, as 14 maiores cidades do país em população receberão o movimento, que pretende envolver toda a sociedade brasileira em uma mudança de atitude em relação ao lixo.

A inspiração deste movimento veio da Estônia, onde o mutirão limpou todo o país em um só dia!

Ao contrário de outras campanhas, a iniciativa no Brasil é de longo prazo: pretende permanecer no Brasil por 10 anos. Tem patrocínio de grandes empresas e a parceria com as prefeituras para garantir o sucesso da iniciativa.

A Comunidade Consciente apóia o Limpa Brasil!!!

8 de outubro de 2010

E nós também fomos para o 2º turno

Acabaram de sair os resultados da 1ª fase do Prêmio Top Blog 2010. E estamos orgulhosas em comunicar que a Comunidade Consciente ficou entre os 100 blogs que foram classificados pelo público para o 2º turno do Prêmio. Obrigada a todos que votaram na Comunidade Consciente!!!! 

A partir de 10/10 começa o 2º turno com os Top100 mais votados. Então... continuem votando na Comunidade Consciente.

Me desculpem se as coisas tem estado um pouco devagar  por aqui. Mas ao menos eu tenho uma boa razão. Desde agosto eu estou morando na Noruega, onde estou fazendo mestrado na área de Sustentbilidade. Esses 2 primeiros meses aqui tem sido uma loucura, mas eu prometo que vou escrever posts sobre a questão ambiental aqui na Noruega.

Aqui, você encontra a a lista completa dos blogs na categoria Sustentabilidade selecionados para o 2º turno.




4 de agosto de 2010

Aprovada a política de mudança climática do ES


A Diretriz Estadual de MUDANÇAS CLIMÁTICAS foi aprovada pela Assembleia Legislativa (Ales) na sessão ordinária desta terça-feira (3), ocorrida no Plenário Dirceu Cardoso.

À matéria, formatada no Projeto de Lei nº 626/2009, do deputado Claudio Vereza (PT), foi anexado o Projeto de Lei nº 151/2010, do Poder Executivo, que institui a Política Estadual de MUDANÇAS CLIMÁTICAS.

Como havia emenda do deputado Vereza, a matéria segue agora para a Comissão de Constituição e Justiça para redação final. Juntos, os dois projetos preveem um conjunto de ações com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável.

Isso implica no estímulo à mudança nos padrões de consumo, na promoção da educação ambiental e no incentivo a projetos de habitações sustentáveis. O Governo deverá, inclusive, verificar onde estão os pontos de emissão de gases causadores do efeito estufa no Estado.

A matéria também propõe o incentivo econômico para as boas práticas ambientais nas propriedades rurais, o incentivo ao uso racional do solo urbano e rural e ações para conter possíveis desastres naturais, como a estruturação da Defesa Civil nos municípios.

26 de julho de 2010

The Story of Cosmetics

A Annie Leonard acaba de lançar mais um vídeo do projeto The Story of Stuff. Dessa vez, ela nos mostra o ciclo de vida dos cosméticos.

O vídeo "The Story of Cosmetics" ainda não está legendado em português.Se alguém tiver vontade e tempo de fazê-lo, basta salvar o vídeo legendado no YouTube e avisar a equipe do projeto. A maioria dos filmes é legendado por voluntários.


20 de julho de 2010

Os 10 mandamentos de Ladislau Dowbor

*CRISE E OPORTUNIDADES* *Os Dez Mandamentos, revistos e atualizados*

Considerando que a obediência à versão original dos Dez Mandamentos foi apenas aleatória, desta vez o Altíssimo teve a prudência de acrescentar a cada um deles uma nota de explicação, destinada em particular aos impenitentes.

por Ladislau Dowbor

O presente artigo faz parte da plataforma de discussão Crises e Oportunidades.
Participam dele Ignacy Sachs, Carlos Lopes, Ladislau Dowbor e dezenas de outros pesquisadores.

*I – Não Comprarás o Estado*

Resgatar a dimensão pública do Estado: Como podemos ter mecanismos reguladores que funcionem se é o dinheiro das corporações a regular que elege os reguladores? Se as agências que avaliam risco são pagas por quem cria o risco? Uma das propostas mais evidentes da última crise financeira, e que encontramos mencionada em quase todo o espectro político, é a necessidade de reduzir a capacidade das corporações privadas, ditarem as regras do jogo. A quantidade de leis aprovadas no sentido de reduzir impostos sobre transações financeiras, reduzir a regulação do Banco Central e autorizar os bancos a fazer toda e qualquer operação, somada com o poder dos lobbies financeiros, torna evidente a necessidade de resgatar o poder regulador do Estado; para isso, os políticos devem ser eleitos por pessoas de verdade, e não por pessoas jurídicas que constituem ficções em termos de direitos humanos. Enquanto não tivermos financiamento público das campanhas e políticos que representem os interesses dos cidadãos, prevalecerão os
interesses econômicos de curto prazo e a corrupção.

*II – Não Farás Contas Erradas*

As contas têm de refletir os objetivos que visamos. O PIB (Produto Interno Bruto) indica a intensidade do uso do aparelho produtivo, mas não indica a utilidade do que se produz, para quem, e com que custos para o estoque de bens naturais de que o planeta dispõe. Conta como aumento do PIB um desastre ambiental, o aumento de doenças, o cerceamento de acesso a bens livres. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) já foi um imenso avanço, mas temos de evoluir para uma contabilidade integrada dos resultados efetivos dos nossos esforços, e particularmente da alocação de recursos financeiros em função de um desenvolvimento que não seja apenas economicamente viável, mas também socialmente justo e ambientalmente sustentável. As metodologias existem, aplicadas parcialmente em diversos países, setores ou pesquisas. A adoção, em todas as cidades, de indicadores locais de qualidade de vida tornou-se
hoje indispensável para medir o que efetivamente interessa: o desenvolvimento sustentável, o resultado em termos de qualidade de vida da população. Muito mais que o *output*, trata-se de medir o *outcome*.

*III – Não Reduzirás o Próximo à Miséria*

Algumas coisas não podem faltar a ninguém. A pobreza crítica é o drama maior, tanto pelo sofrimento que causa em si, como pela articulação com os dramas ambientais, o não acesso ao conhecimento, a deformação do perfil de produção que se desinteressa das necessidades dos que não têm capacidade aquisitiva. A ONU (Organização das Nações Unidas) calculou, no ano 2000, que custaria US$ 300 bilhões tirar da miséria um bilhão de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia. São custos ridículos quando se considera os trilhões transferidos para grupos
econômicos no quadro da última crise financeira. O benefício ético é imenso, pois é inaceitável a morte de 10 milhões de crianças por ano, devido a causas ridículas. O benefício de curto e médio prazo é grande, na medida em que os recursos direcionados à base da pirâmide dinamizam imediatamente a micro e pequena produção, agindo como processo anticíclico, como se tem
constatado nas políticas sociais de muitos países. No mais longo prazo, será uma geração de crianças que terá sido alimentada decentemente, o que se transforma em melhor aproveitamento escolar e maior produtividade na vida adulta. A teoria, tão popular, de que o pobre se acomoda se receber ajuda, é simplesmente desmentida pelos fatos: sair da miséria estimula, e o dinheiro é mais útil simplesmente onde é mais necessário.

*IV – Não Privarás Ninguém do Direito de Ganhar o seu Pão*

Universalizar a garantia do emprego é viável. Toda pessoa que queira ganhar o pão da sua família deve poder ter acesso ao trabalho. Num planeta onde há um mundo de coisas a fazer, inclusive para resgatar o meio ambiente, é absurdo o número de pessoas sem acesso a formas organizadas de produzir e gerar renda. Temos os recursos e os conhecimentos técnicos e organizacionais para assegurar, em cada vila ou cidade, acesso a um trabalho decente e socialmente útil. As experiências de Maharashtra, na Índia, demonstraram a sua viabilidade, assim como as numerosas experiências brasileiras, sem falar no New Deal da crise dos anos 1930. São opções onde todos ganham: o município melhora o saneamento básico, a moradia, a manutenção urbana, a policultura alimentar. As famílias passam a viver decentemente; e a sociedade passa a ser melhor estruturada e menos tensionada. Os gastos com seguro desemprego se reduzem. No caso indiano, cada vila ou cidade é obrigada a ter um cadastro de iniciativas intensivas em mão de obra. Dinheiro emprestado ou criado desta forma representa investimento, melhoria de qualidade de vida, e dá excelente retorno. E argumento fundamental: assegura que todos tenham o seu lugar para participar na construção de um desenvolvimento sustentável. Na organização econômica, além do resultado produtivo, é essencial pensar no processo estruturador ou desestruturador gerado. A dimensão de geração de emprego de todas as iniciativas econômicas
tem de se tornar central.

*V – Não Trabalharás mais de 40 Horas*

Podemos trabalhar menos, e trabalharemos todos, com tempo para fazer coisas mais interessantes na vida. A subutilização da força de trabalho é um problema planetário, ainda que desigual na sua gravidade. No Brasil, o setor informal situa-se na ordem de 50% da PEA (População Economicamente Ativa). Uma imensa parte da nação “se vira” para sobreviver. No lado dos empregos de ponta, as pessoas não vivem, por excesso de carga de trabalho. Não se trata aqui de uma exigência de luxo: são incontáveis os suicídios nas empresas onde a corrida pela eficiência se tornou simplesmente desumana. O estresse profissional está se tornando uma doença planetária, e a questão da qualidade de vida no trabalho passa a ocupar um espaço central. A redistribuição social da carga de trabalho torna-se hoje uma necessidade. As resistências são compreensíveis, mas a realidade é que, com os avanços da tecnologia, os processos produtivos tornam-se cada vez menos intensivos em mão de obra, e reduzir a jornada é uma questão de tempo. A redução da jornada não reduzirá o bem-estar ou a riqueza da população, e sim a deslocará para novos setores mais centrados no uso do tempo livre, com mais
atividades de cultura e lazer. Não precisamos necessariamente de mais carros e bonecas Barbie, precisamos sim de mais qualidade de vida.

*VI – Não Organizarás a tua Vida em Função do Dinheiro*

A mudança de comportamento, de estilo de vida, não constitui um sacrifício, e sim o resgate do bom senso. Neste planeta de 7 bilhões de habitantes, com um aumento anual da ordem de 75 milhões, toda política envolve também uma mudança de comportamento individual e da cultura do consumo. O respeito às normas ambientais, a moderação do consumo, o cuidado no endividamento, o uso inteligente dos meios de transporte, a generalização da reciclagem, a redução do desperdício – há um conjunto de formas de organização do nosso cotidiano que passa por uma mudança de valores e de atitudes frente aos desafios econômicos, sociais e ambientais. Hoje, 95% dos domicílios no Brasil têm televisão, e o uso informativo inteligente deste e de outros
meios de comunicação tornou-se fundamental. Frente aos esforços necessários para reequilibrar o planeta, não basta reduzir o martelamento publicitário que apela para o consumismo desenfreado; é preciso generalizar as dimensões informativas dos meios de comunicação. A mídia científica praticamente desapareceu, os noticiários navegam no atrativo da criminalidade, quando
precisamos vitalmente de uma população informada sobre os desafios reais que enfrentamos. Grande parte da mudança do comportamento individual depende de ações públicas: as pessoas não deixarão o carro em casa (ou deixarão de tê-lo) se não houver transporte público; não farão reciclagem se não houver sistemas adequados de coleta. Precisamos de uma política pública de mudança do comportamento individual.

*VII – Não Ganharás Dinheiro com o Dinheiro dos Outros*

Racionalizar os sistemas de intermediação financeira é viável. A alocação final dos recursos financeiros deixou de ser organizada em função dos usos finais de estímulo e orientação de atividades econômicas e sociais, para obedecer às finalidades dos próprios intermediários financeiros. A atividade de crédito é sempre uma atividade pública, seja no quadro das instituições públicas, seja no quadro dos bancos privados que trabalham com dinheiro do
público, e que para tanto precisam de uma carta patente que os autoriza a ganhar dinheiro com dinheiro dos outros. A recente crise financeira de 2008 demonstrou com clareza o caos que gera a ausência de mecanismos confiáveis de regulação no setor. O dinheiro não é mais produtivo onde rende mais para o intermediário: devemos buscar a produtividade sistêmica de um recurso que
é público. A intermediação financeira é um meio, não um fim. A intermediação especulativa – diferentemente da intermediação de compras e vendas entre produtores e utilizadores finais – apenas gera uma pirâmide especulativa e insegurança, além de desorganizar os mercados e as políticas econômicas.

*VIII – Não Tributarás as Ações que mais nos Ajudam*

A filosofia do imposto, de quem se cobra e a quem se aloca, precisa ser revista. Uma política tributária equilibrada na cobrança e reorientada na aplicação dos recursos constitui um dos instrumentos fundamentais de que dispomos, sobretudo porque pode ser promovida por mecanismos democráticos. O eixo central não está na redução dos impostos, e sim na cobrança socialmente mais justa e na alocação mais produtiva em termos sociais e ambientais. A
taxação das transações especulativas (nacionais ou internacionais) deverá gerar fundos para financiar uma série de políticas essenciais para o reequilíbrio social e ambiental. O imposto sobre grandes fortunas é hoje essencial para reduzir o poder político das dinastias econômicas (10% das
famílias do planeta são donas de 90% do patrimônio familiar acumulado no planeta). O imposto sobre heranças é fundamental para dar chance a partilhas mais equilibradas para as sucessivas gerações. É importante lembrar que as grandes fortunas do planeta, em geral, estão vinculadas não a um acréscimo de capacidades produtivas, e sim à aquisição maior de empresas por um só
grupo, gerando uma pirâmide cada vez mais instável e menos governável de propriedades cruzadas, impérios onde a grande luta é pelo controle do poder financeiro, político e midiático, e a apropriação de recursos naturais. O sistema tributário tem de ser reformulado no sentido anticíclico, privilegiando atividades produtivas e penalizando as especulativas: no sentido de maior equilíbrio social, ao ser fortemente progressivo; e no sentido de proteção ambiental, ao taxar emissões tóxicas ou geradoras de mudança climática, bem como o uso de recursos naturais não renováveis. O poder redistributivo do Estado é grande, tanto pelas políticas que executa –
por exemplo, as políticas de saúde, lazer, saneamento e outras infraestruturas sociais que melhoram o nível de consumo coletivo – como pelas que pode fomentar, como opções energéticas, inclusão digital e assim por diante. A democratização aqui é fundamental. A apropriação dos mecanismos decisórios sobre a alocação de recursos públicos está no centro
dos processos de corrupção, envolvendo as grandes bancadas corporativas, por sua vez ancoradas no financiamento privado das campanhas.

* *

*IX – Não Privarás o Próximo do Direito ao Conhecimento*

Travar o acesso ao conhecimento e às tecnologias sustentáveis não faz o mínimo sentido. A participação efetiva das populações nos processos de desenvolvimento sustentável envolve um denso sistema de acesso público e gratuito à informação necessária. A conectividade planetária que as novas tecnologias permitem constitui uma ampla via de acesso direto. O custo/benefício da inclusão digital generalizada é simplesmente imbatível, pois é um programa que desonera as instâncias administrativas superiores, na medida em que as comunidades com acesso à informação se tornam sujeitos do seu próprio desenvolvimento. A rapidez da apropriação desse tipo de tecnologia, até nas regiões mais pobres, se constata na propagação do celular e das *lan houses* mais modestas. O impacto produtivo é imenso para os pequenos produtores, que passam a ter acesso direto a diversos mercados, tanto de insumos como de venda, escapando aos diversos sistemas de atravessadores comerciais e financeiros. A inclusão digital generalizada é
um destravador potente do conjunto do processo de mudança que hoje se torna indispensável. A criação de redes de núcleos de fomento tecnológico on-line, com ampla capilaridade, pode se inspirar na experiência da Índia, onde foram criados núcleos em praticamente todas as vilas do país. O *World Economic and Social Survey 2009* é particularmente eloquente ao defender a
flexibilização de patentes no sentido de assegurar ao conjunto da população mundial o acesso às informações indispensáveis para as mudanças tecnológicas exigidas por um desenvolvimento sustentável.

*X – Não Controlarás a Palavra do Próximo*

Democratizar a comunicação tornou--se essencial. A comunicação é uma das áreas que mais explodiu em termos de peso relativo nas transformações da sociedade. Estamos permanentemente cercados de mensagens. As nossas crianças passam horas submetidas a publicidade ostensiva ou disfarçada. A indústria comunicação, com sua fantástica concentração internacional e nacional – e a crescente interação entre os dois níveis – gerou uma máquina de fabricar estilos de vida, um consumismo obsessivo que reforça o elitismo, as desigualdades, o desperdício de recursos, como símbolo de sucesso. O espectro eletromagnético em que estas mensagens navegam é público, e o acesso a uma informação inteligente e gratuita para todo o planeta é simplesmente viável. Expandindo gradualmente as inúmeras formas alternativas
de mídia, que surgem por toda parte, há como introduzir uma cultura nova, outras visões de mundo, cultura diversificada e não pasteurizada, pluralismo em vez de fundamentalismos religiosos ou comerciais.

Sendo o Secretariado do Altíssimo, hoje, bem equipado, os que por acaso tenham dificuldades técnicas poderão se instruir com outros Assessores, em linha direta sobwww.criseoportunidade.wordpress.com. Ignacy Sachs, Carlos Lopes e Ladislau Dowbor expressaram aqui opiniões pessoais, e reclamações deverão se dirigir a instâncias superiores

Ladislau Dowbor é doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, Polônia, e professor titular da PUC-SP. É autor de *A reprodução social e Democracia economômica - um passeio pelas teorias *(contatohttp://dowbor.org).

14 de julho de 2010

O Ser Consciente oferece sua arte pela vida

Uma garota de 11 anos disposta a ajudar. É assim que a jovem Olivia Bouler se apresenta aos que querem saber mais sobre uma iniciativa que já virou notícia em todo o mundo. Inconformada com os danos ambientais causados pelo vazamento de petróleo no Golfo do México, a pequena artista começou a vender os próprios desenhos que faz para colaborar com a recuperação da área afetada pelo acidente.

“Quando soube o que tinha acontecido na região, Olivia imediatamente compreendeu o risco que os animais estavam correndo”, afirmou a mãe da garota, a artista plástica Nadine Bouler.

"Ela chorou, dizendo: 'todos os pássaros vão morrer'.” Então tivemos uma conversa em família sobre o que poderíamos fazer para ajudar e Olivia subiu para escrever uma carta para a Audubon Society, oferecendo seu talento como artista. "Ela desceu 20 minutos depois e nós entramos em contato com a organização em seu nome", conta a mãe da jovem.

A organização sem fins lucrativos, criada com o objetivo de conservar e restaurar ambientes naturais (com foco em aves), abraçou a causa, assim como a AOL, que fez uma parceria com a garota e criou uma página para ela dentro do portal, além de doar US$ 25 mil para a causa.
O sucesso foi tanto que a iniciativa já tem mais de 20 mil fãs em sua página no Facebook , além de já ter angariado mais de US$ 165 mil, que foram doados para a recuperação do habitat destruído.

Os desenhos feitos por Olivia são baseados no amor que ela sente pelos pássaros e nas próprias lembranças dela, que costumava passar férias na casa dos avós em Orange Beach, no Alabama, local próximo ao acidente.

“Eu sempre me interessei por animais, principalmente pássaros. Gosto muito do American Kestrel, que é o menor falcão do mundo. Também gosto da gralha azul”, explica a menina, que quer ser ornitologista quando crescer.

Quem quiser ajudar, ou estiver interessado nos desenhos da jovem artista, pode mandar um e-mail para oliviasbirds@aol.com com o protocolo da doação e o endereço. A própria AOL se encarrega de enviar os desenhos pelo correio para os doadores que procuram o site criado para a menina.

Fonte: Site EcoDesenvolvimento