5 de abril de 2010

Mapas importam?


Projeções cartográficas são técnicas destinadas a representar um objeto esférico e com três dimensões – o globo terrestre – numa folha de papel plana e com duas dimensões. Entretanto mais do que representar o planeta Terra, projeções cartográficas representam determinadas visões de mundo.

A primeira projeção cartográfica considerada moderna foi de Mercator, feita no séc XVI. Essa projeção, ainda muito usada nos dias de hoje, tem pontos positivos e negativos. Foi criada num momento em que os europeus empreendiam viagens por todo o mundo. Era a época das grandes navegações. Durante séculos, essa projeção serviu muito bem à navegação e até hoje é a preferida pela maioria dos navegadores e recomendada por vários institutos ou órgãos que se dedicam à navegação.

 Projeção de Mercator

É uma projeção que se preocupa basicamente com o tamanho relativo de cada área. Reproduz mais ou menos corretamente o tamanho e o formato das áreas situadas na zona intertropical, mas exagera na projeção das áreas temperadas e polares. Basta ver o tamanho da Europa no mapa-múndi. Parece que o continente europeu é maior do que o Brasil, quando na realidade é menor. Observe também as dimensões da ilha da Groelândia, que parece ter a mesma área do Brasil ou da Austrália, quando, na realidade, é cerca de quatro vezes menor: o Brasil tem 8.511.996 km² e a Austrália tem 7.682.300 km²; a Groelândia, apenas 2.175.6000 km².

A projeção de Gall-Peters também é cilíndrica. Foi concebida em 1885 pelo cartógrafo James Gall e retomada em 1952 pelo historiador Arno Peters, que imaginou que ela seria mais propícia para os países subdesenvolvidos, pois corrige a distorção que existe na projeção de Mercator. Nessa projeção, a Europa e a América do Norte parecem maiores do que realmente são, e a América do Sul e a África parecem menores.

 Projeção de Gall-Peters

Essa projeção imaginada por Gall é do tipo equivalente, ou seja, tem uma maior preocupação não com as formas, mas sim com a proporção, isto é, com o tamanho relativo de cada área mapeada. Por isso, ela procura fazer um retrato mais ou menos fiel do tamanho das áreas, no entanto acaba muitas vezes distorcendo as formas.

Nessa projeção, comparar a Europa com o Brasil, por exemplo, é mais importante do que dar a forma exata dessas áreas. Observando a projeção de Gall-Peters, vemos que ela apresenta um alongamento das áreas no sentido norte-sul ou no sentido leste-oeste.. a África e América do Sul, por exemplo, ficam alongadas no sentido norte-sul e estreitas no outro sentido. Já com a Rússia e o Canadá ocorre o inverso: esses países ficam alongados no sentido leste-oeste e estreitas no sentido norte-sul.

A projeção de Gall-Peters, assim como todas as demais, também tem os seus aspectos positivos e negativos. O aspecto positivo é que ela permite comparar o tamanho de países ou continentes. Por exemplo: nessa projeção o Brasil fica maior do que a Europa, e a Groelândia fica bem menor do que a Austrália. O aspecto negativo é que o formato das áreas é completamente distorcido. O Brasil, por exemplo, fica exageradamente alongado no sentido norte-sul, quando na verdade possui praticamente a mesma distância nos dois sentidos. O mesmo ocorre com a África. Já o Canadá alonga-se no sentido leste-oeste, como se fosse bem maior do que no sentido norte-sul, o que também não é verdade.

Este episódio do seriado West Wing aborda a Projeção de Gall-Peters e discute de uma forma bastante bem humorada o que significa mudar nossa vida de mundo. Infelizmente, só está disponível em inglês.


Fontes:  

2 comentários:

keke disse...

nao achei o que eu queria

Anônimo disse...

Na verdade ,é perfeito ,é tudo oque eu precisava !!